O distrito de Gameleira, no município de Sítio do Mato no oeste baiano, está sendo engoligo pelas águas e areia do Rio São Francisco. A localidade tem 2.700 moradores e muitas das quase 400 casas do local já desapareceram por que na época de cheia o rio avança sobre as construções ribeirinhas, destruindo tudo o que encontra pela frente.
Isso acontece por causa do assoramento, que é o acúmulo de areia, levado até o rio pela chuva ou pelo vento. Quando este fenômeno ocorre, cabe as matas ciliares servirem de filtro pra que este material não se deposite sob a água. Como no caso São Francisco as matas que margeavam o rio foram indevidamente removidas, o assoreamento e o desbarrancamento foram inevitáveis.
Situação que os moradores de Gameleira sabem muito bem. Há quase 30 anos, nos períodos de enchente o velho chico avança sobre o povoado engulindo ruas, casas e lojas. No momento a região está no tempo da seca que deve durar mais de dois meses, o que não impede o risco de desabamento, por que mesmo com o nível abaixo do normal o assoreamento do Rio São Francisco continua provocando erosões.
No início da epidemia da AIDS no Brasil eram 34 homens infectados pelo vírus, para cada mulher. Hoje são dois homens com o vírus para cada mulher infectada. Na Bahia a situação é a mesma. A doença que foi detectada no estado pela primeira vez em 1984, até novembro de 2006 apresentava 7.841 casos de Aids, sendo 5.345 do sexo masculino e 2.495 do sexo feminino. “Hoje, o número de mulheres infectadas pelo HIV corresponde a quase 50% dos casos, ao contrário do que se verificava no início da epidemia”, diz Edvânia Landim, coordenadora estadual de DST/Aids.
Esse avanço do vírus HIV entre as mulheres acontece porque faltam políticas públicas voltadas para prevenção da Aids para a população feminina, principalmente para as que moram no interior da Bahia, o machismo existente na sociedade e a precária educação sexual nas escolas. Estas são razões apontadas por especialistas para este aumento. As mulheres ainda têm receio de negociar com o parceiro, o uso da camisinha nas relações sexuais. Tudo para não despertar dúvidas em relação à fidelidade ou de perder o homem como provedor da família.
Outro fato vem preocupando o Programa Estadual de DST/Aids é que a doença vem crescendo no interior, 73 % dos municípios baianos já têm pelo menos um caso registrado de Aids, mostrando uma tendência de crescimento nessas localidades e nos setores mais pobres e com menor escolaridade da população. A epidemia entre os jovens é outra tendência apontada por estudos sobre Aids na Bahia, principalmente na faixa etária entre 15 e 19 anos.
Em Salvador o teste para detectar a doença e o tratamento continuado são feitos gratuitamente no Centro de Referência Estadual de DST/ Aids (Creaids). O centro alerta para o abandono do tratamento da síndrome que tem efeitos colaterais adversos.
O gráfico da doença na Bahia
Casos desde 1984 até 2006
|
Grupo Etário
|
Masculino |
% |
Feminino |
% |
Total |
% |
| Menor de 1a |
0 |
0,0% |
1 |
0,0% |
1 |
0,0% |
| 1 a 4 anos |
0 |
0,0% |
1 |
0,0% |
1 |
0,0% |
| 5 a 9 anos |
0 |
0,0% |
1 |
0,0% |
1 |
0,0% |
| 10 a 14 anos |
10 |
0,2% |
5 |
0,2% |
1 |
0,2% |
| 15 a 19 anos |
72 |
1,3% |
53 |
1,3% |
15 |
1,6% |
| 20 a 29 anos |
1314 |
24,6% |
887 |
24,6% |
125 |
28,1% |
| 30 a 39 anos |
2348 |
44,0% |
931 |
44,0% |
2201 |
41,9% |
| 40 a 49 anos |
1117 |
20,9% |
449 |
20,9% |
3279 |
20,0% |
| 50 a 59 anos |
351 |
6,6% |
128 |
6,6% |
1566 |
6,1% |
| 60 a 69 anos |
82 |
1,5% |
27 |
1,5% |
479 |
1,4% |
| 70 a 79 anos |
20 |
0,4% |
4 |
0,4% |
109 |
0,3% |
| 80 e mais |
21 |
0,4% |
6 |
0,4% |
24 |
0,3% |
| |
5.335 |
100,0% |
2.493 |
100,0% |
7.828 |
100,0% |
Masculino – 5.335
Feminino – 2.493
Menor de 13 anos
Masculino – 130
Feminino – 140
Total – 7.830
(FONTE: SESAB – SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA)